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Educação, um tesouro que transportamos em vasos frágeis
POR: EDUARDO NOVO ...................................Publicado Terça-feira, Março 18, 2008

Um olhar atento para este rectângulo lusitano a que alguns chamaram jardim plantado à beira-mar e outros a mais antiga nação europeia, com os seus oito longos séculos de história, mas curtos para perceber que a educação é um tesouro que transportamos em vasos frágeis. Não queremos que nos chamem pessimistas, mas não hesitaremos em pegar o touro pelos cornos e chamar às “coisas” pelo nome.

Um país que não estima os professores, que não investe nas escolas que não olha para o ensino como o bem maior de qualquer sociedade, está condenado a ir de arrasto, preso à cauda dos países que fizeram verdadeiras apostas na educação;

Um país que justifica os sucessivos cortes no ensino, com o objectivo de equilibrar uma balança financeira, é um país que não percebeu o mais elementar dos segredos do desenvolvimento das nações ilustradas: a educação é a chave do desenvolvimento de um pais;

Um país que inventa reformas, seguidas de contra-reformas e, em nome da ideologia presente, rejeita tudo o que vem do passado (mesmo o que é bom), por mais que se esforce, estará sempre na estaca zero.

As palavras de Alexandre Herculano, não precisam de actualização: elas caracterizam, infelizmente, de forma admirável, a situação de hoje, como a de ontem, como se de uma profecia ex evento se tratasse: já é tempo que a todos chegue o reinado da luz.

Portugal está atrasadíssimo no que propriamente se diz civilização derivada da ilustração.[…] Se até agora, segundo Chauchard e Munia «guerras contínuas, depois o jugo pesado de Espanha, a opressão da inquisição, e nos últimos tempos, excessos de um governo despótico, impediram (em Portugal) o progresso das ciências e das letras», essas razões de desculpa passaram. A influência dos últimos tempos quase lhes varreu de todo a memória. Chegado é o tempo do trabalho e das melhorias úteis.

Onde vai, pois, o erro? - Em andar a política ao invés: em se estudar a ciência de administrar e reger os povos sinteticamente, e aplicar-se analiticamente. Há políticos, que jamais saíram das cidades, e, nas cidades, de aposentos dourados. Ali leram e estudaram teorias de escritores estranhos e naturais; depois fecharam os livros, e redigiram periódicos, sentaram-se nas cadeiras de legisladores, ou tomaram a pasta de ministros, e confiados esperaram que os casos especiais de arrazoar, de legislar ou de providenciar se lhes apresentassem: apareceram esses casos, e cuidando provê-los, de remédio, ampliaram-lhes paliativos, quando os não pioraram.

Esta é, em suma, a história das nossas reformas, e era isto o que se devia ter feito? Ousaremos dizer que não. Deviam-se ter analisado todos os factos sociais do país, e desta análise chegar a uma síntese - a um corpo geral de doutrina política - e aplicar esta, voltando outra vez aos factos, na sua totalidade: mas é o contrário disto que justamente se fez: - daí vêm todos os nossos danos, e a febre moral que nos consome – o desesperar da liberdade.

Ainda não houve em Portugal uma só providência governativa a bem da verdadeira instrução. A verdade desta proposição se encontra em todas as reformas de instrução pública, feita, no nosso país desde o tempo do Marquez de Pombal. Não remontamos mais longe, porque escusado fora esperá-lo antes da época desse homem, tão grande quanto tirânico e imoral. Ainda hoje, que se tem feito a bem da instrução em Portugal? — Nada; absolutamente nada. Dali provêm que a mudança de instituições políticas, e as reformas legislativas são vãs e inúteis; e as empresas comerciais, fabris, e de todo o género de progresso industrial desbaratam-se e morrem: dali provém que o povo nada tem melhorado com o gozo da liberdade; porque esta, para produzir fruto, carece de bons costumes, e os bons costumes só nascem da instrução geralmente derramada.

Meu querido Portugal, não te queria chorar, já muitos o fizeram, porque gerações e gerações lançaram aos porcos a mais brilhante das pérolas, sem que alguém tenha tido a coragem de a repor no coração dos portugueses: tenho esperança que Portugal caminhará, em breve, à luz da instrução derramada!

NOTA: Os artigos de opinião não refelectem a linha editorial do Notícias do Nordeste


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